Os crimes cometidos pela Vale em Mariana e Brumadinho, ambos em Minas Gerais, não silenciaram as vozes da população atingida, que nessa terça (19) chegaram em Genebra- Suíça, para reunião no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). A delegação que é organizada pela Cáritas brasileira é composta por representantes de organizações como a Comissão dos Atingidos pela Barragem do Fundão, Movimento de Pequenos Agricultores-MPA, e o Movimento pela Soberania Popular na Mineração-MAM, além de moradores das áreas atingidas pelos rompimentos criminosos das barragens de fundão e Brumadinho.

Foto. Divulgação Cáritas Brasileira

Delegação em Genebra- Suíça. Foto Cáritas brasileira

A delegação brasileira participou na manhã de hoje ( 20) em evento paralelo, durante a 40ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, e expressou a situação de violações dos direitos humanos dos atingidos por rompimentos de barragens no Brasil, com sobre tudo para os crimes socioambientais de Mariana e Brumadinho .

Rio São Francisco na mira da lama tóxica da Vale

A camponesa e coordenadora nacional do MPA, Rafaela Alves alertou para o perigo real que o Rio São Francisco sofre após o rompimento criminoso da barragem de Brumadinho que contaminou um de seus afluentes -o Rio Paraopebas-, para Rafaela o crime de Brumadinho, cometido pela Mineradora Vale tem impactos na vida do povo no percurso da Bacia do São Francisco.

Durante o evento Rafaela ainda destaca que o Rio São Francisco é vital para milhões de pessoas “ são 18 milhões que vivem em quinhentos e cinquenta municípios, abastecidos totalmente pelo São Francisco, todas essas pessoas são atingidas por essa contaminação, mais uma vez nossos territórios estão sendo destruídos em nome do lucro, por esses crimes que custam a vida do povo, e que continuam impunes” completou Rafaela.

A coordenadora nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração, Maria Julia Gomes Andrade, intensifica as denuncias contra os crimes cometidos pela mineradora Vale, “ Então, a gente está aqui para denunciar a postura criminosa e reincidente da Vale e também a postura negligente e subordinada do Estado brasileiro que em todo processo de licenciamento e de controle e fiscalização protege essas empresas e não protege a população que mais uma vez foi enormemente atingida pelo crime que aconteceu em Brumadinho, lembrando que ainda temos mais de 100 pessoas soterradas na lama de rejeitos da Vale”, conclui Majú.

A reunião no Conselho de Direitos Humanos da ONU contou com a presença do relator especial da ONU para Direitos Humanos em Saneamento e Ingestão de Água Potável Léo Heller, além do também relator especial da ONU para Implicações de Direitos Humanos em Situações Envolvendo, Baskut Tuncak.

A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, não compareceu ao evento, mesmo estando no prédio onde aconteceu o encontro, enviando um secretário da embaixada. Ação essa que para as organizações presentes apenas demonstra e reafirmar a postura real do Governo Brasileiro em não querem responsabilizar os reais culpados pelos crimes cometidos pela Vale, e reconhecer os atingidos e atingidas nesse processo.

Por Comunicação MPA

Com informações da Cáritas Brasileira